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terça-feira, 23 de agosto de 2011

OA - Otárias Anónimas


Olá, eu sou a AC e sou uma otária. E gosto. Ou pelo menos é mais fácil ser assim. Estou ainda a pensar se quero a cura. Sou manhosa, tenho pouca fé nas pessoas, mas quando decido dar uma hipótese a alguém, que levem de mim o que quiserem que eu deixo e ainda ofereço mais. E quando falamos deste tipo, pior ainda. Nunca percebi este efeito que ele tem em mim. Venha qualquer outro elemento do sexo masculino, que eu sei dar um chega para lá, mesmo quando não há necessidade disso. Não me sei entregar de corpo e alma a mais ninguém, mas este gajo deve ter-me embruxado, só pode. Convenço-me todos os dias que vou aproveitar só o presente, que vou deixar andar. E depois basta saber de uma história qualquer que o envolve a ele, umas mensagens e uma tipa que eu não gosto e cai o mundo. Faço uma tempestade mental das minhas (e note-se que acho que tenho bastantes razões para isso), falo com ele e começo a aperceber-me que o que me magoa mesmo não é a merda da história, mas sim o quanto isso me faz aperceber de tanta coisa… Caem-me as lágrimas, juntamente com a baba e o ranho, tudo juntinho como o verdadeiro drama gosta. Cai-me também a realidade em cima e tenho a noção, mais uma vez,  de que eu quero mais, e ele não sabe o que quer. E é que nunca vai saber, por muito tempo que eu espere. Mais patético que isso, eu pondero (sim, estou a ponderar -> IDIOTA <- ) se o mando para o caralho e choro mais baba e ranho, acrescido de dias de apatia e noites sem dormir (que isto é daquelas coisas mesmo sérias, daquelas que podiam ter sido escritas pelo Nicholas Sparks), ou se me sujeito e isto, torno-me no inverso dos meus conselhos e no que sempre me orgulhei de não ser…e basicamente não saio da cepa torta. O pior é que eu não entendo. A conversa sobre a história das mensagens levou ao baile do costume…eu digo que esta nossa “coisa” acabou, ele diz que eu não tenho razão para isso nem para me preocupar com nada, mas não me sabe dizer porquê. E será que não dá para perceber que é isso mesmo que eu preciso de saber? Não? Porque é que não pode acabar? Porque assim tens com quem dar umas quecas? Ofende-se porque digo as coisas assim. Então porquê? Porque gosta de estar comigo diz ele. Ai sim? Então porquê? Não sabe explicar. Então eu explico. Porque gostas de mim e não consegues admitir meu atrasado mental! E expliquei mesmo, que quando se me destrava a língua, ninguém me pára (mas sem a parte do atrasado mental). E ele diz que não pode dizer que não, mas que evita pensar nisso, que sabe que quer estar comigo, sabe que eu o faço rir, sabe que tem vontade de falar comigo, sabe que quis contar a toda a gente, sabe que eu lhe faço bem…mas não consegue explicar porquê. E eu desespero mais um bocadinho porque me apercebo que este gajo é bem capaz de ser um caso perdido e nunca vai abrir o raio do coração, ou o que tem lá no sítio dele. Diz ele que não consegue, que sabe que é injusto comigo, e que não me pode pedir para eu esperar. Esperar o que? Se não tens, também já não te nasce meu amigo. Seis meses nisto e não vejo nada. Tenho que admitir que melhoraste, mas se vamos a esta velocidade, lá para 2020 chegamos a uma conclusão. Isto se entretanto não achares um outro alguém com quem tudo te pareça mais simples, ou eu não falecer com uma úlcera nervosa. Mas eu, a otária, vou achar que sim. Está-se mesmo a ver. Porque, rais parta o meu romantismo selectivo, sou bem capaz de achar que não consigo viver sem ti. Mas em contrapartida, o que é que eu faço com um tipo que não consegue organizar os pensamentos, que acha que uma demonstração de carinho é capaz de ser pecado e que falar daquilo que sente pode muito bem provocar-lhe lepra? Pior do que isso, o que é que eu faço se ele se cansa disto antes de mim? Já estou naquele ponto em que largar a mão agora ou largar depois vai-me fazer estatelar no chão com as tripas de fora de qualquer forma. A conversa fica a meio, pedes-me que me acalme, que pense bem nisto, recusas-te a aceitar qualquer decisão que tome hoje, dizes que amanhã falamos novamente sobre isto. Decisões por tomar, meio maço fumado, amanhã há mais drama. Dormes tu? Dormes pois que a ti não te aperta tanto o peito como a mim. Eu é que não durmo de certeza.

domingo, 19 de junho de 2011

da vida que parece não mudar


Começo a achar que preciso de uma mudança na minha vida! Preciso de deixar esta vida, esta cidade. No entanto, neste momento, tudo me prende aqui. Devia acabar o curso este ano, mas mais uma vez ainda não vai ser desta! Devia ser, está mais que na hora de me desligar deste modo de vida imaturo que por mais que eu queira não me está a levar para lado nenhum!
Mas isso significa deixar muita coisa para trás, as pessoas mais importantes que já passaram pela minha vida. E não estou minimamente preparada para isso!
Não consigo imaginar não estar nesta casa, viver com estas pessoas, não o ver (possivelmente) nunca mais....
Estou a ver a vida a andar à minha frente e eu não consigo fazer nada para ir atrás dela, apenas e só porque me liguei demasiado a estas pessoas!
Uma mudança provoca sempre receio... mas talvez seja exactamente isso que precisava agora! E ainda não vai ser desta vez!!

Mesmo tendo perfeita consciência que vou ter que ficar aqui mais um ano, estou sempre a tempo de mudar alguma coisa e vai ser exactamente isso que vou tentar fazer!

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Medo




Hoje vou falar de ti. Vou fazê-lo porque nunca o faço, e se este espaço não existisse provavelmente não o faria. Não significa que não pense em ti, até porque estás sempre presente na minha vida, directa ou indirectamente. Estás presente no meu modo de andar, nos meus traços, no meu mau feitio, nos meus gostos culinários, no meu humor tolinho, no meu orgulho, na minha força, nas minhas acções. E estás, inevitavelmente, presente no meu pensamento. Não falo de ti, não porque não me orgulho de tudo o que foste como pessoa e acima de tudo do que foste comigo, mas porque despertas em mim o lado que muito poucas pessoas conhecem e sobretudo porque ainda dói, e vai doer sempre.  Hoje falo de ti porque estou com medo. Estiveste sempre à altura de cada dificuldade, de cada momento da minha vida, enquanto te foi possível. Eras exemplar no papel que desempenhavas e adoravas fazê-lo. Sei  que sim, e todos à nossa volta conseguiam percebê-lo. Tínhamos uma cumplicidade invejável, talvez por todas as semelhanças que nos uniam, talvez porque adorávamos passar tardes a ver filmes e a roubar fatias de queijo da cozinha, porque eu detestava dormir durante a tarde mas as sestas com a cabeça no teu colo eram irresistíveis, porque eras a única pessoa que sabia fazer-me cócegas e fazer-me rir até chorar, porque adorava aquele momento do dia em que lias para mim, porque me mimavas mais do que devias, porque eu fazia tudo para te deixar orgulhoso de mim e porque tu te orgulhavas de cada gesto meu, por mais insignificante que pudesse ser. Penso muitas vezes se te orgulharias de mim agora. Não sei se me apoiarias em todas as decisões que tomei nestes anos, mas sei que o teu amor incondicional seria sempre meu. Hoje falo de ti porque cada um destes momentos me foi arrancado sem aviso, e só me restam memórias. E houve alguém que eu conhecia desde sempre, alguém que é tão parecido contigo (não fosse ele teu irmão), alguém que soube fazer parte da minha vida e estar tão próximo do teu papel, embora nunca tentasse substituir-te. Esse alguém é o meu  “alguém”  mais próximo daquilo que tu foste. É mais importante para mim do que aquilo que ele pode imaginar. Ou talvez imagine. Ambos gostamos de manter a nossa fachada, esperar que os outros percebam aquilo que sentimos sem que seja necessário dizê-lo. Hoje falo de ti porque estou com medo que também ele me seja arrancado, porque o meu maior desejo neste momento é que ele saiba que eu não suportaria, mais uma vez na vida, resignar-me a ter apenas memórias, e viver feliz com isso.


sábado, 29 de janeiro de 2011

Restos

"Hoje vens tu
E eu ja sei de cor
o travo do teu licor
E os restos de mim no chão."