Mostrar mensagens com a etiqueta família. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta família. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 5 de julho de 2011

Saudades



Mãe, Pai e manos... estou a chegar! E as saudades vossas já são muitas :)
Parece que já oiço a minha mão dizer "Aiii filha que estava a ver que nunca mais vinhas" e por sua vez o meu irmão dizer "Olha esta música nova que tenho aqui" 

Pouco tempo, mas vai saber tão bem. 



Depois tenho que voltar, ele vem cá. E a minha busca por um trabalhinho de Verão vai estar na ordem do dia.


sábado, 5 de fevereiro de 2011

Medo




Hoje vou falar de ti. Vou fazê-lo porque nunca o faço, e se este espaço não existisse provavelmente não o faria. Não significa que não pense em ti, até porque estás sempre presente na minha vida, directa ou indirectamente. Estás presente no meu modo de andar, nos meus traços, no meu mau feitio, nos meus gostos culinários, no meu humor tolinho, no meu orgulho, na minha força, nas minhas acções. E estás, inevitavelmente, presente no meu pensamento. Não falo de ti, não porque não me orgulho de tudo o que foste como pessoa e acima de tudo do que foste comigo, mas porque despertas em mim o lado que muito poucas pessoas conhecem e sobretudo porque ainda dói, e vai doer sempre.  Hoje falo de ti porque estou com medo. Estiveste sempre à altura de cada dificuldade, de cada momento da minha vida, enquanto te foi possível. Eras exemplar no papel que desempenhavas e adoravas fazê-lo. Sei  que sim, e todos à nossa volta conseguiam percebê-lo. Tínhamos uma cumplicidade invejável, talvez por todas as semelhanças que nos uniam, talvez porque adorávamos passar tardes a ver filmes e a roubar fatias de queijo da cozinha, porque eu detestava dormir durante a tarde mas as sestas com a cabeça no teu colo eram irresistíveis, porque eras a única pessoa que sabia fazer-me cócegas e fazer-me rir até chorar, porque adorava aquele momento do dia em que lias para mim, porque me mimavas mais do que devias, porque eu fazia tudo para te deixar orgulhoso de mim e porque tu te orgulhavas de cada gesto meu, por mais insignificante que pudesse ser. Penso muitas vezes se te orgulharias de mim agora. Não sei se me apoiarias em todas as decisões que tomei nestes anos, mas sei que o teu amor incondicional seria sempre meu. Hoje falo de ti porque cada um destes momentos me foi arrancado sem aviso, e só me restam memórias. E houve alguém que eu conhecia desde sempre, alguém que é tão parecido contigo (não fosse ele teu irmão), alguém que soube fazer parte da minha vida e estar tão próximo do teu papel, embora nunca tentasse substituir-te. Esse alguém é o meu  “alguém”  mais próximo daquilo que tu foste. É mais importante para mim do que aquilo que ele pode imaginar. Ou talvez imagine. Ambos gostamos de manter a nossa fachada, esperar que os outros percebam aquilo que sentimos sem que seja necessário dizê-lo. Hoje falo de ti porque estou com medo que também ele me seja arrancado, porque o meu maior desejo neste momento é que ele saiba que eu não suportaria, mais uma vez na vida, resignar-me a ter apenas memórias, e viver feliz com isso.