domingo, 2 de outubro de 2011

Seremos sempre putos grandes



Todos temos um brinquedo favorito quando somos crianças. Aquele que desejamos mais do que qualquer outro. Quando finalmente se torna nosso, não o largamos durante um segundo. Cuidamos dele como se qualquer gesto pudesse quebrá-lo. Não o emprestamos a ninguém e está sempre perto de nós. Levamo-lo para todo o lado, admiramo-lo constantemente e não há brinquedo de amigo algum que cause inveja. Até um dia, em que saímos de casa e nos apercebemos que ficou esquecido no meio dos outros. Eventualmente descobrimos que tem um pequeno defeito, que já não sabemos o que fazer com ele. Acaba por ficar arrumado naquele cantinho onde guardamos aqueles que nunca captaram a nossa atenção. Vai ser sempre especial, vamos recordar-nos dele quando formos mais velhos, mas entretanto oferecem-nos um novo e não conseguimos evitar o fascínio por coisas novas. Um dia o amigo da escola vai lá a casa e vê aquele brinquedo, esquecido no meio dos outros. Gosta dele de tal forma que nos faz recordar o porquê de ter sido O brinquedo. E subitamente volta a despertar a nossa atenção. Sai da prateleira directamente para a nossa mão e durante dias e dias brincamos até à exaustão. Mas inevitavelmente cai no esquecimento mais uma vez. E cada vez que formos busca-lo àquele cantinho, o tempo de fascínio torna-se mais reduzido. Entretanto, se nunca cair no chão e partir, vai haver um dia em que já não vamos buscá-lo. Já não vale a pena, já não queremos. E um dia mais tarde, vamos recordar-nos dele com carinho, mas vai estar arrumado no fundo do armário, e é lá que deve estar. Se eventualmente o brinquedo quebrar por algum motivo, choramos, fazemos birra para ter um igual, queremos aquele brinquedo de volta. Mas nada o vai substituir. E aí também vamos recordar-nos dele com carinho, só não vamos poder espreitar o armário de vez em quando para matar saudades.

1 comentário:

Shiver disse...

crianças para sempre :P*