Todos
temos um brinquedo favorito quando somos crianças. Aquele que desejamos mais do
que qualquer outro. Quando finalmente se torna nosso, não o largamos durante um
segundo. Cuidamos dele como se qualquer gesto pudesse quebrá-lo. Não o
emprestamos a ninguém e está sempre perto de nós. Levamo-lo para todo o lado,
admiramo-lo constantemente e não há brinquedo de amigo algum que cause inveja.
Até um dia, em que saímos de casa e nos apercebemos que ficou esquecido no meio
dos outros. Eventualmente descobrimos que tem um pequeno defeito, que já não
sabemos o que fazer com ele. Acaba por ficar arrumado naquele cantinho onde
guardamos aqueles que nunca captaram a nossa atenção. Vai ser sempre especial,
vamos recordar-nos dele quando formos mais velhos, mas entretanto oferecem-nos
um novo e não conseguimos evitar o fascínio por coisas novas. Um dia o amigo da
escola vai lá a casa e vê aquele brinquedo, esquecido no meio dos outros. Gosta
dele de tal forma que nos faz recordar o porquê de ter sido O brinquedo. E subitamente
volta a despertar a nossa atenção. Sai da prateleira directamente para a nossa
mão e durante dias e dias brincamos até à exaustão. Mas inevitavelmente cai no
esquecimento mais uma vez. E cada vez que formos busca-lo àquele cantinho, o
tempo de fascínio torna-se mais reduzido. Entretanto, se nunca cair no chão e
partir, vai haver um dia em que já não vamos buscá-lo. Já não vale a pena, já
não queremos. E um dia mais tarde, vamos recordar-nos dele com carinho, mas vai
estar arrumado no fundo do armário, e é lá que deve estar. Se eventualmente o
brinquedo quebrar por algum motivo, choramos, fazemos birra para ter um igual,
queremos aquele brinquedo de volta. Mas nada o vai substituir. E aí também
vamos recordar-nos dele com carinho, só não vamos poder espreitar o armário de
vez em quando para matar saudades.
1 comentário:
crianças para sempre :P*
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